Os saraus do Centro Estadual de Arte (Cearte-PB) são comumente promovidos na sede da instituição, no Centro da capital. O cantor Erick de Almeida, atração do mês nesse tradicional evento gratuito, traz em seu último disco ecos de outro ponto conhecido e quase “vizinho”. Com “Pare, olhe, escute! Aqui tem gente!”, single que dá nome ao álbum, disponível nas plataformas de música desde agosto, o artista faz reverência à aguerrida comunidade do Porto do Capim. O Sarau do Cearte acontecerá amanhã, às 18h.
Essa apresentação traz um espetáculo diferente dos shows que Erick tem compartilhado com o público desde a estreia do CD. Produção do selo pessoense Taioba Music, Pare, olhe, escute! Aqui tem gente! conta com 10 canções autorais (algumas partem de textos de Valeska Asfora e Regina Célia) e outra, composta por Carlos Anísio.
“[As faixas] falam especificamente sobre esse lugar, seus personagens, e as pessoas que são lideranças na luta comunitária pela permanência. O Rio [Sanhauá] e o mangue estão presentes”, afirma.
Outros símbolos que compõem o folclore e a religiosidade do Porto do Capim também ganham espaço no disco, a exemplo de músicas como “Comadre Florzinha”, “Procissão” e “A viagem transcendental de Pedro Poty”. “A gente, provavelmente, vai tocar de cinco a seis canções e conversar sobre o processo de concepção do disco, avaliando o que está nele. Vai ter intervenções comigo, com a professora Ana Rosa e com o professor Iago Peregrino. Essas pessoas fazem parte da minha banda base”, assinala o autor, sobre o sarau.
A aproximação com a comunidade do Porto do Capim deu- -se quando do ingresso de Erick no projeto social Subindo a Ladeira, há alguns anos. Desde então, ele tem desenvolvido projetos coletivos e ecoado a história e a geografia do local nas iniciativas solo.
“Sinto que o show do Café da Usina [no mês de agosto, em João Pessoa, quando do lançamento do disco] foi um sucesso, porque a gente conseguiu lotar a casa, sempre com a presença de pessoas da comunidade, além de outras que, de alguma forma acompanham meu trabalho”, rememora.
Tendo participado, como plateia, de outras edições do evento, Erick de Almeida fala sobre a possibilidade de alcançar novos públicos por meio da sua presença neste sarau, cuja característica principal é a confluência de linguagens artísticas. “É um momento de encontro com os alunos e professores da instituição e desse contato com a comunidade em geral, com pessoas que não estão necessariamente tendo aula. Isso, de algum jeito, tem um potencial de me transformar enquanto músico, letrista. Estou bem animado para participar”, resume.
*Matéria publicada originalmente na edição impressa do dia 22 de outubro de 2026.