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dia de finados

Missas reúnem fiéis em toda a PB'

publicado: 03/11/2026 09h53, última modificação: 03/11/2026 09h53
No Varadouro, em João Pessoa, dom Manoel Delson conduziu uma celebração pela memória daqueles que já se foram
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Arcebispo evocou a promessa da ressurreição como um caminho para lidar com o luto | Foto: Evandro Pereira

por Íris Machado*

Na doutrina cristã, o Dia de Finados representa um momento de renovar a fé na ressurreição e de transformar a saudade em intercessão por aqueles que partiram. Em João Pessoa, familiares e amigos participaram, ontem, da Santa Missa no Cemitério Senhor da Boa Sentença, no Varadouro, para homenagear os entes queridos e encontrar, na devoção, o conforto para a saudade. Tanto pela manhã quanto pela tarde, os ritos convidaram os devotos a guardar a memória dos falecidos e confiar na misericórdia divina.

 Todos os anos, a devota Renata Matos comparece às missas de Finados. A tradição, na casa dela, inclui acender velas e rezar o terço pelas almas dos familiares. Para Renata, o momento consiste em uma oportunidade de ajudar aqueles que precisam de orações e conforto espiritual por meio da fé — uma fonte de ânimo diante das dificuldades do dia a dia e, acima de tudo, um lembrete do propósito maior de cada fiel.

“A gente sabe que a nossa vida não para aqui. O Dia de Finados, na verdade, vem para relembrar que a gente passa por aqui e volta para Deus. Do pó viemos e ao pó voltaremos. Para mim, é um dia de rezar pelos meus familiares, por aqueles que já partiram, pelas almas esquecidas do purgatório, por aqueles que necessitam de oração e que, nesse momento, precisam de algum conforto”, afirma.

Lúcia Oliveira também mantém o hábito de participar das celebrações e dedicar orações aos familiares falecidos. O Dia de Finados, como ela relatou, permite aos fiéis agradecer pelo que essas pessoas representaram em vida. “Dentro da Igreja, celebra-se a memória dos nossos entes queridos. Vamos celebrar a ressurreição, a nossa fé e a gratidão por todos aqueles que tanto fizeram por nós. A vida continua — e a vida é ressurreição”, declarou.

Ontem, a Arquidiocese da Paraíba celebrou missas nas 104 paróquias do estado e em campos-santos da Grande João Pessoa. No Cemitério Senhor da Boa Sentença, o público acompanhou uma missa com o arcebispo metropolitano dom Manoel Delson, às 9h. No local, também ocorreram atos litúrgicos às 7h, 11h e 16h.

“É um dia de lembrança, mas, sobretudo, um dia de esperança. E a nossa esperança cristã reside no fato de que Cristo morreu, ressuscitou e garantiu para todos os seus discípulos, para os que acreditam, a ressurreição também. Os que foram marcados pelo batismo, que acreditam em Jesus Cristo, morrendo, não morrem, ressuscitam para a vida eterna. E aí está nossa esperança”, recordou o arcebispo.

Para quem enfrenta o luto, o líder religioso enfatizou o papel da fé e aconselhou buscar conforto na palavra de Jesus Cristo. “Assim como Cristo morreu no Calvário, deu a vida para nos salvar, em cada Eucaristia esse sacrifício é atualizado. Àqueles que estão vivendo essa experiência, [digo que] confiem em Jesus Cristo, na promessa dele: ‘Quem crê em mim não morrerá, viverá para sempre’. E a grande promessa de Jesus para todos e todas é a ressurreição”, reiterou.

Assim como no Senhor da Boa Sentença, a programação do Dia de Finados, em João Pessoa, abarcou a Capela São Francisco, no Cristo Redentor, às 7h e às 16h; o Cemitério Santa Catarina, no Bairro dos Estados, às 9h e às 16h; o ossário da Igreja Matriz de Nossa Senhora de Lourdes, às 7h e às 16h; e o Santuário de Nossa Senhora da Penha, às 7h, 9h e 11h. Também aconteceram missas nos municípios da Região Metropolitana da capital e nas cidades de Itabaiana, Itatuba, Mamanguape, Riachão do Bacamarte, Riachão do Poço e Salgado de São Félix.

Visitantes enfrentam calor nos cemitérios de Patos

por: Mirvan Lúcio

Movimentação esteve dentro do esperado pela prefeitura | Foto: Mirvan Lúcio

Em Patos, o feriado de Finados começou com missa pela manhã em todos os cemitérios. Os equipamentos foram abertos às 3h para montagem da estrutura para as celebrações, e as visitas intensificaram-se a partir das 6h. Quem se dispôs a sair de casa para visitar os entes mortos, teve que se preparar bem. O calor de 37 oC castigou os patoenses. Embora o céu apresentasse muitas nuvens, a sensação térmica de 38 oC e a baixa umidade do ar contribuíram para o desconforto térmico.

No Cemitério São Miguel, no bairro Belo Horizonte, a reportagem encontrou Francilene dos Santos, de 24 anos. Ela e a família — mãe, irmãs e sobrinhos — foram visitar o túmulo da avó, que morreu há quatro meses, e de um tio, falecido há 13 anos. Todos se apertavam embaixo de um único guarda-chuva, tentando proteger-se do sol.  “Parece que o Dia de Finados é o dia mais quente do que um dia normal. Está todo mundo aqui tentando fugir do sol. É ‘sombrinha’ protetor solar e muita água, não tem outro jeito”, disse.

Em frente a todos os cemitérios, localizados em Patos e no distrito de Santa Gertrudes, a prefeitura instalou tendas e pontos de hidratação, com distribuição de água. O trânsito não sofreu grandes alterações. As ruas permaneceram calmas, apesar de haver alguns pontos de interdição nos arredores dos locais de visitação. Guarda Civil, Polícia Militar e Corpo de Bombeiros ajudaram na segurança, mesmo diante de uma realidade de calmaria.

Mesmo com as intempéries climáticas, os patoenses não deixaram de prestar suas homenagens. Fabiano Nunes é o coordenador de Manutenção dos prédios cemiteriais e comentou que o fluxo de pessoas esteve dentro do esperado. “Desde cedo, muita gente visitou os cemitérios. Eu fui em todos, para ver se estava tudo ocorrendo bem, e vi a movimentação bem dentro da normalidade”, afirmou. O horário de visitação estendeu-se até o turno da noite, atendendo ao fluxo da população.

*Matéria publicada originalmente na edição impressa do dia 03 de novembro de 2026.