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Ataques aos nordestinos são infundados

publicado: 28/10/2026 09h36, última modificação: 28/10/2026 09h36

Logo após o primeiro turno, publicações foram feitas nas redes sociais criticando os nordestinos e sua região pelo voto majoritário no petista. Nos três dias seguintes à votação de 4 de outubro, segundo levantamento realizado pela Ativaweb DataLab, mais de 27 milhões de menções, links e compartilhamentos relacionando a Região Nordeste ao resultado das urnas. As interações sugeriam xenofobia ao Nordeste, sendo apresentadas como mera “análise” ou “divergência”.

Intitulado “O Nordeste no banco dos réus”, o estudo capturou mais de 32 milhões de menções, links e compartilhamentos associando a região ao resultado eleitoral em todo o território nacional. A pesquisa analisou publicações das principais redes sociais: Facebook, Instagram, TikTok, X (antigo Twitter) e Kwai, além de comentários do YouTube.

O documento destaca, ainda, a dimensão judicial do caso, apontando que as postagens ultrapassavam os limites da liberdade de expressão e adentravam à esfera criminal.
De acordo com a Lei no 7.716/1989, a discriminação de procedência nacional é crime, com penas agravadas quando o ato ocorre na internet.

Crítica sem base
A cientista política Maria Montserrat publicou, em suas redes sociais, uma análise sobre o resultado das eleições para presidente. Ela enfatizou que os recortes realizados por região, sexo, idade, renda, por exemplo, são importantes para traçar a preferência eleitoral de diferentes grupos, mas que “nenhuma região é completamente homogênea”.

Montserrat complementa que a vitória do presidente Lula está mais relacionada a um aumento significativo de votos no Sudeste. “Mas, certamente, não veremos pessoas nas redes sociais chamando paulistas ou mineiros de ‘miseráveis’, ‘burros’ ou ‘analfabetos’”, pontuou.

*Matéria publicada originalmente na edição impressa do dia 28 de outubro de 2026.