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PB tem 2º transplante 100% SUS em menos de 10 dias

publicado: 22/10/2026 08h48, última modificação: 22/10/2026 08h48
Doação ocorreu no Trauma-JP; paciente de 46 anos recebeu um dos rins
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Cirurgia de implante do órgão aconteceu, na manhã de ontem, no Hospital da Mulher | Foto: Divulgação/Secom-PB

A 35ª doação de múltiplos órgãos registrada pela Central Estadual de Transplantes, na noite da última terça-feira (20), no Hospital de Emergência e Trauma de Joao Pessoa, possibilitou a realização do segundo transplante 100% SUS da Paraíba, em um intervalo de menos de 10 dias. Isso significa que o hospital doador e o hospital receptor integram a mesma rede pública hospitalar estadual. Na modalidade de transplante cardíaco, a Paraíba já realiza procedimentos entre unidades da rede estadual desde março de 2022.

A paciente doadora tinha 50 anos e estava internada na unidade de terapia intensiva (UTI) do Trauma-JP, quando teve diagnosticada sua morte encefálica em virtude de um acidente vascular cerebral hemorrágico (AVCH). A decisão da família em doar foi determinante para transformar a vida do paraibano Cícero Dias, de 46 anos, receptor do rim esquerdo; ele dependia de hemodiálise desde 2022. Além do rim esquerdo, também foram doados o rim direito e as córneas.

A cirurgia de implante do órgão aconteceu na manhã de ontem, no Hospital da Mulher Dona Creuza Pires, também em João Pessoa. A irmã do receptor, Ana Paula Dias, ressaltou a mudança na qualidade de vida que o irmão terá após a cirurgia. “Esse transplante foi uma vitória. Desde 2022 era muito sofrimento para ele, que fazia hemodiálise três dias na semana, tinha que ir para Cajazeiras, fazendo quatro horas de sessão, e, por conta disso, ele não conseguia trabalhar. Agora, com esse transplante, ele vai ter uma nova vida”, descreveu.

Neste ano, 155 pacientes deixaram a lista de espera de órgãos no estado

A cirurgia de captação durou aproximadamente três horas e marcou a 19ª doação de 2026 no Trauma-JP. A diretora da Central de Transplantes, Rafaela Dias, destaca os avanços conquistados pelo serviço, a partir do apoio recebido por meio da Secretaria de Estado da Saúde (SES). “O procedimento reforça a capacidade da rede pública estadual de realizar todas as etapas do processo, desde a identificação do potencial doador e a confirmação do diagnóstico de morte encefálica até a captação e o transplante do órgão em um hospital da própria rede. A articulação entre as equipes de saúde e o trabalho da Central Estadual de Transplantes são fundamentais para viabilizar os procedimentos e ampliar as oportunidades para quem aguarda por um transplante”, detalhou.

O primeiro transplante renal realizado no Hospital Dona Creuza Pires foi registrado no último dia 13 de outubro, transformando a vida de um paraibano de 29 anos, da cidade de Cajazeiras.  Neste ano, 155 pacientes já foram beneficiados com a doação de órgãos e deixaram a lista de espera por um transplante na Paraíba, mas 821 pessoas ainda aguardam uma doação, sendo 669 para córneas, dois para coração, 31 para fígado e 119 para rim.

Autorização familiar

No Brasil, a doação de órgãos e tecidos só é realizada após a autorização familiar. Por isso, a maneira de garantir efetivamente que a vontade do doador seja respeitada, é fazer com que a família saiba sobre do desejo de doar do parente ainda em vida. Depois da confirmação da morte encefálica, a família é entrevistada por um profissional da equipe para informar sobre o processo de doação e transplantes e solicitar o consentimento para a doação. Os órgãos doados vão para pacientes que necessitam de um transplante e estão aguardando em lista de espera. A lista é única, organizada por estado ou região, e monitorada pelo Sistema Nacional de Transplantes (SNT).

*Matéria publicada originalmente na edição impressa do dia 22 de outubro de 2026.