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TSE cita dificuldades ante prorrogação da votação

publicado: 26/10/2026 09h41, última modificação: 26/10/2026 09h41
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O ministro Nunes Marques disse ter parabenizado Lula | Foto: Lula Marques/Agência Brasil - Foto: Lula Marques/Agência Brasil

O presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), o ministro Kassio Nunes Marques, afirmou ontem (25) que a decisão do ministro Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal (STF), de prorrogar a votação do segundo turno até as 19h gerou “dificuldades para o processo eleitoral”. A medida foi determinada após denúncias de restrições ao transporte de eleitores em 10 estados — inclusive a Paraíba (veja mais na página 7). Horas depois, com 99,9% dos votos totalizados, Nunes Marques telefonou para Luiz Inácio Lula da Silva (PT) para parabenizá-lo pela reeleição, com mais de 64 milhões de votos.

Em balanço após o segundo turno, o presidente do TSE afirmou que recebeu a decisão de Zanin depois das 17h, horário originalmente previsto para o fim da votação, e que não havia precedente para uma ampliação do período de votação. Segundo Nunes Marques, o pedido de prorrogação havia chegado à Corte por volta das 15h30. “A decisão proferida após o horário de encerramento da votação gerou dificuldades no processo eleitoral. Assim que recebi o pedido de prorrogação do horário da votação, por volta das 15h30, busquei informações técnicas, apesar de não haver normativo que autorizasse qualquer prorrogação”, afirmou.

A campanha de Lula havia recorrido ao TSE após denunciar restrições ao transporte de eleitores em municípios dos estados de Piauí, Paraíba, Paraná, Pará, Rio de Janeiro, São Paulo, Alagoas, Pernambuco, Roraima e Bahia. Diante da ausência de uma decisão do presidente do TSE sobre a prorrogação, o PT acionou o STF.

Zanin determinou a extensão da votação por até duas horas em todo o país. O ministro considerou graves os relatos de falta de transporte apresentados na ação. Como algumas seções já haviam encerrado os trabalhos quando a ordem chegou, posteriormente foi esclarecido que aquelas ainda abertas deveriam permanecer em funcionamento até o novo horário.

Nunes Marques afirmou que as denúncias sobre eventual insuficiência do transporte coletivo serão apuradas pela Justiça Eleitoral. “A eventual insuficiência de transporte sempre será apurada e enfrentada pela Justiça Eleitoral, instituição a quem nossa Constituição atribuiu a competência exclusiva de gerir o processo eleitoral”, declarou.

OEA acompanha apurações sobre insuficiência de transporte público

A Organização dos Estados Americanos (OEA) informou que acompanha a apuração das denúncias de problemas no transporte público registradas ontem. Entre as ocorrências relatadas ao longo do dia, estão filas, demora e redução na circulação de ônibus, além de restrições em outros meios de transporte, como voos e barcas no Rio Amazonas.

A coligação Brasil Pronto Pra Mais, de Lula, acionou o TSE e pediu que a votação nos locais afetados fosse prorrogada das 17h para as 19h, solicitando a prisão dos responsáveis por eventual impedimento ao exercício do voto.

Em Salvador (BA), a Superintendência de Proteção e Defesa do Consumidor da Bahia (Procon-BA) encontrou 544 ônibus parados em cinco garagens, após denúncias de bloqueio da saída dos veículos. Diante da situação, o Tribunal Regional Eleitoral da Bahia (TRE-BA) determinou o restabelecimento imediato da frota integral da cidade, com frequência equivalente à dos dias úteis e gratuidade para os passageiros. O presidente do tribunal, o desembargador Maurício Kertzman Szporer, designou à Superintendência Regional da Polícia Federal a prisão do secretário municipal de Mobilidade, Pablo Souza. Foi definida, ainda, multa de R$ 1 milhão por hora, em caso de descumprimento da ordem de retomada da circulação dos ônibus.

A Prefeitura de Salvador atribuiu o atraso na saída de parte dos ônibus à retirada de adesivos de propaganda eleitoral que teriam sido irregularmente colocados nos veículos durante a madrugada. Conforme o prefeito Bruno Reis, quando a gestão percebeu que a retirada do material atrasaria a operação, determinou a liberação dos veículos mesmo com os adesivos. Ele pontuou que a frota havia sido normalizada pela manhã.

Ainda segundo a ação da coligação Brasil Pronto Pra Mais, em Alagoas, houve número insuficiente de vans e micro-ônibus no transporte intermunicipal, com esperas superiores a uma hora e denúncias de cobrança de passagens, o que teria levado à intervenção do Ministério Público estadual. Em Pernambuco, eleitores teriam encontrado dificuldades para obter gratuidade no transporte intermunicipal, e houve relato de um motorista que teria dificultado o acesso de um eleitor ao ônibus. Já no Rio de Janeiro, foram relatadas redução da frota e pouca circulação de transporte coletivo em Petrópolis (RJ) e São Gonçalo (RJ).

*Matéria publicada originalmente na edição impressa do dia 26 de outubro de 2026.