O Conselho Regional de Medicina da Paraíba (CRM-PB) instaurou uma sindicância para averiguar os fatos envolvendo um médico suspeito de praticar atos de natureza sexual contra pacientes mulheres, durante atendimentos realizados em uma unidade básica de saúde (UBS) na Zona Rural do município de Caaporã, no Litoral Sul do estado.
O profissional, que tem 32 anos e não teve a identidade divulgada pela polícia, foi capturado em flagrante. Ontem, em audiência de custódia, a Justiça determinou que ele permanecerá recluso em prisão preventiva.
Em nota à imprensa, o CRM-PB informou que a apuração, instaurada na última quarta-feira (4) — mesmo dia em que o médico foi denunciado e detido —, tem como objetivo investigar as circunstâncias do caso, além de reunir elementos documentais, verificar a existência de indícios de autoria e materialidade dos supostos crimes e identificar possíveis infrações ao Código de Ética Médica.
“Nessa fase preliminar, de natureza investigativa, poderá ser recebida manifestação escrita do médico ou de seu representante legal, além de requisitados documentos necessários à apuração. Concluída a sindicância, o relatório será submetido à apreciação da Câmara de Sindicância, composta por conselheiros, que deliberará sobre a existência de elementos suficientes para a instauração de processo ético-profissional [PEP]”, informou a entidade representativa. Caso seja instaurado um PEP, poderão ser ouvidos o médico investigado, as pacientes e demais testemunhas envolvidas.
O Conselho ainda destaca que as apurações éticas ocorrem de maneira independente das investigações policiais e dos procedimentos judiciais sobre o caso, observando o sigilo processual e os direitos de todas as partes envolvidas.
“Qualquer conduta de natureza abusiva ou sexual incompatível com o exercício da medicina constitui matéria de extrema gravidade e deve ser rigorosamente apurada, com respeito às garantias legais e às normas éticas da profissão”, finalizou o documento.
Entenda
Após uma consulta realizada na manhã de quarta-feira, em uma UBS em Caaporã, uma paciente de 20 anos realizou uma denúncia contra um médico atuante na unidade, alegando ter sido vítima de conduta sexual. A partir das evidências coletadas, a Polícia Civil da Paraíba (PCPB) efetuou a prisão em flagrante do profissional. Segundo o relato da vítima, o suspeito teria utilizado a justificativa de efetuar procedimentos clínicos para realizar toques e manipulações íntimas sem finalidade médica, além de fazer questionamentos de cunho sexual durante o atendimento.
Conforme a PCPB, durante as diligências, foram constatados outros relatos semelhantes sobre a conduta do mesmo profissional. Uma paciente de 44 anos afirmou ter sido submetida a situações similares, e funcionários da UBS, também ouvidos pelas autoridades, atribuíram ao denunciado comportamentos inadequados e constrangedores.
Em depoimento à polícia, o homem confirmou a realização dos procedimentos físicos relatados, mas alegou que as práticas tinham finalidades diagnósticas e assistenciais. Preso, o investigado permanece à disposição da Justiça e aguarda audiência de custódia.
Para subsidiar o avanço das apurações, a PCPB requisitou exames periciais ao Instituto de Polícia Científica (IPC), a serem executados pelo Núcleo de Medicina e Odontologia Legal (Numol), além de solicitar imagens do sistema de videomonitoramento interno da unidade de saúde. Também está sendo investigada a possibilidade de mais pacientes terem sido vítimas do profissional.
Nota oficial
Além do CRM-PB, a Prefeitura de Caaporã manifestou-se — por meio da Secretaria Municipal de Saúde — a respeito do caso. “Diante da gravidade dos fatos, a secretaria está adotando as providências administrativas necessárias para solicitar à empresa responsável o afastamento cautelar imediato do profissional e sua substituição, visando à segurança das pacientes e à continuidade da assistência à população”, pontuou o órgão, em nota oficial, ressaltando que “a medida solicitada tem caráter preventivo e não representa antecipação de julgamento, devendo os fatos ser rigorosamente apurados pelas autoridades competentes, com observância do devido processo legal”.
Ainda conforme o texto, a prefeitura também vem prestando suporte às mulheres que denunciaram o caso, por meio da rede municipal de saúde e dos serviços de proteção disponíveis. “A secretaria repudia toda forma de violência e reafirma seu compromisso com o acolhimento das pacientes, a preservação de sua identidade e intimidade e a colaboração com as investigações”, concluiu a nota.
*Matéria publicada originalmente na edição impressa do dia 06 de novembro de 2026.