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Museu reconta história da capital

publicado: 06/11/2026 09h05, última modificação: 06/11/2026 09h05
Sediado em um casarão centenário, no Centro de João Pessoa, equipamento celebra cinco anos de fundação
2026.11.05 Museu da cidade de João Pessoa © Leonardo Ariel (2).JPG

De 1928 a 1930, local foi residência do então presidente da Paraíba, João Pessoa; acervo guarda móveis da época dessa estadia | Foto: Leonardo Ariel

por Marisa Rocha*

Em um casarão centenário localizado na Praça da Independência, no Centro de João Pessoa, o Museu da Cidade reúne objetos, fotografias, pinturas e recursos tecnológicos para apresentar ao público momentos que ajudaram a construir a identidade da capital. O espaço, que celebra cinco anos de fundação nesta semana, apresenta diferentes perspectivas sobre a formação do município, ampliando o olhar para personagens, manifestações culturais e acontecimentos que contribuíram para a sua construção.

A visita é organizada em salas temáticas, nas quais o público encontra objetos e informações sobre diferentes períodos e manifestações culturais, como as brincadeiras populares. A tecnologia é outro recurso utilizado para aproximar os visitantes dos conteúdos apresentados: mesas interativas, mapas antigos, projeções e atividades com perguntas e respostas que permitem explorar informações de maneira dinâmica. Há, ainda, uma sala dedicada aos sons da cidade, que convida o público a reconhecer aspectos da paisagem sonora de João Pessoa ao longo das décadas.

Entre os recursos, um mapa apresenta a expansão urbana da capital, com representações dos bairros em diferentes períodos. As pinturas de espaços históricos e culturais são relacionadas a pontos geográficos por meio de projeções, permitindo visualizar as transformações da cidade ao longo do tempo.

A proposta é fazer com que o visitante não apenas observe o acervo, mas também participe da experiência. “Hoje o museu funciona como um espaço interativo. As pessoas podem ter acesso, conhecer um pouco da história por meio de quiz, com perguntas, e conseguem externar o que conhecem sobre a história da cidade, como também adquirir conhecimento”, destaca o diretor da instituição, Iam Pontes.

Arte

Além das salas de exposições permanentes, o Museu da Cidade também reserva um local para a divulgação da produção artística contemporânea. “A gente não tinha nenhum espaço para galeria de artes. Então, pensando em trazer artistas para exporem aqui dentro do museu, surgiu a ideia de fazer nas paredes da escada”, declara Pontes.

Conforme o diretor, a intenção é manter uma programação com novas exposições mensalmente, dando visibilidade a diferentes trabalhos e linguagens artísticas. Atualmente, a seleção dos artistas é feita por meio de uma curadoria interna, sem divulgação de editais, mas os interessados também podem procurar diretamente a equipe do museu para apresentar seus trabalhos. 

Quem visita o museu encontra diferentes elementos da história de João Pessoa, como mapas antigos, artefatos decorativos, objetos de povos tradicionais e registros esportivos

Além das obras e objetos expostos, o próprio imóvel onde o museu está sediado faz parte da história política paraibana. Construído no início da década de 1920, o casarão serviu de residência para o então presidente da Paraíba, João Pessoa Cavalcanti de Albuquerque, de 1928 a 1930, enquanto o Palácio da Redenção — à época, residência oficial do Governo do Estado — passava por reformas. O acervo reúne, inclusive, móveis relacionados à estadia do político paraibano no local. “Tem também a mesa onde aconteceu o fato trágico, que foi o seu assassinato lá em Recife. Atualmente, ela foi para o restauro, mas a gente tem isso exposto aqui no museu”, ressalta Pontes. 

Tombado em 1980 pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico do Estado da Paraíba (Iphaep), o prédio passou por obras de restauração que receberam investimento de aproximadamente R$ 1,3 milhão, antes de ser transformado em equipamento cultural sob a administração do Governo do Estado da Paraíba.

Após a realização de uma ampla reforma e reorganização dos espaços expositivos, o local foi reaberto em fevereiro deste ano. A reformulação buscou justamente ampliar a abordagem histórica, que anteriormente tinha maior concentração na trajetória política de João Pessoa. “Hoje a expografia é toda nova, mas voltada à identidade real que a cidade tem com a sua memória, com a sua história. Fala um pouco sobre os povos originários, sobre a cultura popular da cidade, sobre os nomes que já foram dados à cidade, sobre o futebol e também sobre o cinema de João Pessoa”, explica Iam. De acordo com o gestor, desde a reinauguração, o local vem recebendo uma média de mil visitantes por mês.

Memória

A importância de conhecer a história do lugar onde se vive também aparece na experiência de quem visita o museu pela primeira vez. É o caso dos turistas e novos moradores do município, Linda Grace Marçal e Kelsang Togden, ambos naturais de Mato Grosso do Sul.

Linda, que chegou a João Pessoa em janeiro, ficou encantada com a receptividade das pessoas e com o conteúdo apresentado no museu. Para ela, conhecer os espaços de memória permite compreender de maneira mais próxima os acontecimentos que marcaram a formação da cidade, para além do conhecimento geral sobre a história do Brasil. “Cada um que passa aqui pode ter uma noção disso tudo. Você tem noção da história do Brasil, mas aqui se sente cada pedacinho de vida que foi construindo isso tudo”, afirmou.

Ela também chama a atenção para a necessidade de preservar o patrimônio histórico, destacando que o cuidado com esses espaços precisa continuar depois das obras de restauração. “Não adianta só construir, você tem que poder cuidar. Tem que manter também”, ressaltou.

Já Kelsang, que conheceu a capital paraibana como turista há alguns anos e decidiu mudar-se para a capital há cerca de um mês, procurou o museu como uma forma de se familiarizar com a história do novo lugar onde escolheu viver. Embora não seja frequentador assíduo de museus, considera importante compreender os acontecimentos e as diferentes influências que participaram da construção do município.

“Eu acho muito importante entender melhor como a cidade se formou, os diversos povos que passaram por aqui e todo esse histórico”, comentou. Para ele, conhecer essas diferentes contribuições ajuda a compreender não apenas o passado, mas também questões que permanecem presentes na sociedade.

*Matéria publicada originalmente na edição impressa do dia 06 de novembro de 2026.