Educação, saúde, igualdade social, soberania nacional, segurança. Esses são alguns dos assuntos mais citados pelos eleitores quando questionados sobre o que esperam para o futuro do país, a partir do novo ciclo que se inicia em 1o de janeiro de 2027. A reportagem de A União abordou alguns eleitores que estavam na saída de uma escola localizada no bairro Bessa, em João Pessoa, perguntando sobre as expectativas para o Brasil a partir dessas eleições.
“Eu espero que tenha mais igualdade social. Que as classes menos favorecidas, formadas principalmente pela população negra, que é maioria, tenham mais possibilidades e que os direitos das mulheres sejam garantidos. A desigualdade social no país é muito grande. A educação é a maior fonte de investimento. Que o Brasil se desenvolva por meio da educação”, observou o músico Cristiano Oliveira.
Já a arquiteta Clarissa Gurgel espera muitas mudanças. Com a filha no colo, ela disse que pensa na próxima geração. “É preciso reestruturar muita coisa que se perdeu no meio do caminho. E que haja prosperidade para os que estão vindo, a nova geração. Um futuro melhor para a gente na economia, na saúde e na segurança”, comentou.
Médica, Dayanne Campos destacou a importância de valorizar o Sistema Único de Saúde (SUS). “Eu espero que ele traga a união entre as pessoas e que a gente consiga avançar na saúde. Eu sou médica, então torço para que o SUS continue crescendo, continue atendendo a população com tudo o que ela necessita. E espero também que a economia cresça, que a gente continue sendo um país bem-visto na comunidade internacional”, disse.
A bióloga Maria Ana ressaltou a esperança. “Eu espero tanta coisa! Estou naquela atitude de ‘esperançar’. Então espero um governo justo, igualitário, onde a justiça e a soberania possam ser exercidas com respeito e dignidade e os nossos direitos de cidadãos sejam garantidos”, detalhou.
Técnico de microinformática, Karan Carvalho contou que tinha uma escolha de candidato clara, mas, independentemente de quem for eleito, espera que seja feito o melhor para a população brasileira. “Eu penso muito no povo, não sou egoísta. Não é porque eu tive mais oportunidades que outras pessoas que vou olhar somente para mim. Eu espero que todo mundo tenha as mesmas chances e que isso seja feito em todos os âmbitos: educacional, social e, principalmente, na saúde. Eu espero isso, de verdade”, disse.
Intergeracional
Em Patos, a reportagem de A União encontrou uma personagem ímpar. Em um século de vida, dona Alta Batista já viveu diversas realidades no Brasil. Tanta experiência a fez entender que, a menos de um mês de completar 101 anos, a sua presença na eleição faria a diferença. Eleitora de Patos, ela não conseguiu participar do primeiro turno. Mas, no segundo, fez questão de exercer o seu direito ao voto — pela legislação, cidadãos com mais de 70 anos não são obrigados a votar.
Desde os 18 anos que eu voto. Não vim no primeiro turno porque estava doente. Hoje também estou adoentada, mas estou aqui, porque quero ajudar a eleger o meu presidente”, posicionou-se a idosa, que, após a votação, permaneceu no local, a Escola Estadual Monsenhor Manoel Vieira, conversando com as pessoas.
Assim como dona Alta, Edileuza da Costa, de 70 anos, também não tem mais a obrigação de votar, mas optou por exercer a sua cidadania. “O meu voto, hoje, é de gratidão e pela liberdade. Eu tenho medo de a gente perder a liberdade. Voto pensando nos jovens”, analisou. Sobre o futuro, a eleitora, que é trabalhadora da saúde, definiu a área como uma das que mais precisam de investimentos. “Principalmente a assistência às pessoas com câncer. Muita coisa já foi feita, mas ainda falta bastante. Tem que olhar mais para a saúde”, opinou. Edileuza e Alta Batista representam um grande número de idosos que decidiram votar, em Patos.
O cuidado com os jovens é uma preocupação comum entre os patoenses. Por isso, educação, oportunidade e liberdade são bandeiras defendidas pelo eleitorado. “O meu voto tem um sentimento de melhora. Todo mundo quer um Brasil melhor, independentemente de quem seja o presidente. Que as novas gerações tenham como crescer e tocar esse país. Eu estou fazendo a minha parte hoje para que eles façam a deles mais à frente”, argumentou Mizael Andrade, de 52 anos, enquanto aguardava a sua vez de votar.
O exercício maior da democracia fez Valéria Alves, de 29 anos, ser uma das primeiras eleitoras da sua seção. Para a jovem, a seguridade do regime político democrático é a base para qualquer ponto de melhoria no país. “Nos últimos anos, os critérios de escolha de voto não passam apenas pelas propostas dos candidatos. Também precisamos lutar pela democracia e para sustentar aquilo que é básico, um direito adquirido. Saúde e educação são coisas que precisam melhorar sempre, e a democracia é o caminho para isso”, defendeu.
Na Capital do Sertão, a votação também aconteceu de forma ágil, com poucas filas e tempo de votação mais rápido.
*Matéria publicada originalmente na edição impressa do dia 26 de outubro de 2026.