Ontem (25), domingo de eleição, quem votou na Central de Aulas da Universidade Federal da Paraíba (UFPB), em João Pessoa, encontrou um ambiente tranquilo, com filas menores que no primeiro turno. O dia no maior local de votação da capital — que, neste ano, agrupa 8.795 eleitores — foi pacífico. Com a redução no tempo de espera, o eleitorado da universidade teve a oportunidade de praticar a cidadania sem transtornos.
Ao lado dos amigos, Fernanda Dantas levou cerca de 40 minutos até confirmar o seu voto na urna eletrônica. Apesar disso, ela considerou o processo mais rápido do que no primeiro turno, quando esperou duas horas e meia em uma fila. Natural de Jardim do Seridó, no interior do Rio Grande do Norte, Fernanda transferiu o título para João Pessoa com o intuito de facilitar a participação no pleito.
“Foi mais rápido, bem melhor do que o primeiro turno. Tem menos gente, mas ainda havia muitas pessoas na fila, porque é o maior colégio eleitoral da Paraíba. A gente não conseguiu dormir. Era tanta ansiedade para votar, que viemos o mais cedo possível. A gente está decidindo quem vai governar o nosso país. Ou decidimos nós mesmos, ou deixamos para os outros decidirem. E deixar que os outros decidam nunca é uma boa”, avaliou.
Assim como Fernanda, o piauiense André Felipe acordou cedo, na intenção de fugir das filas e voltar logo para casa, com a esposa e o filho, mas enfrentou um tempo de espera maior que o previsto. “Hoje foi um pouco mais demorado. O pessoal estava lento, por causa da leitura da digital, mas foi tranquilo. É o futuro da nação, né? A gente não pode se abster. Sempre votar e lutar para que, no futuro, a nossa realidade seja melhor”, observou André.
Domingo também representou um dia especial para a estudante Isabela Ferreira, de 18 anos: é a segunda vez que a jovem exerceu o direito ao voto. Ao lado da irmã, ela chegou à seção por volta das 8h30. “Está bem mais tranquilo, porque, como é só um número [de candidato], é mais rápido. Para mim, foi bem rápido. Já na seção da minha irmã, está mais demorado. Quase uma hora de espera”, apontou.
Se esta eleição marcou o início da jornada de Isabela como eleitora, para Ivaldo Gomes, o comparecimento às urnas já é um hábito consolidado. Morador do bairro Anatólia, ele veio à Central de Aulas com a esposa, Ana Maria, e encontrou a sua seção sem grandes filas. Embora não seja mais obrigado a votar, devido à idade — ele tem 70 anos —, Ivaldo não deixou de participar do processo eleitoral de 2026.
“A gente precisa construir a democracia do país, precisa votar e escolher alguém — de preferência, alguém que tenha compromisso com o povo, com as causas sociais. O que a gente precisa é exercer o direito de cidadão, porque, quando você deixa os outros decidirem por você, você não tem o que reclamar. A gente precisa votar no que a gente acredita, torcer pelas coisas que a gente acredita”, acrescentou.
A santa-ritense Sueli Leite compartilha o mesmo sentimento de Ivaldo. Ela, que trocou o local de votação para João Pessoa, gastou cerca de uma hora e meia na fila da sua seção, no primeiro turno. Ontem, Sueli votou com mais tranquilidade, ao lado do marido, Alexsandro de Sousa. “Para mim, votar é muito importante. É quando a gente tem a chance de ver se as coisas melhoram”, opinou.
Eleitoras de 16 e 93 anos vão às urnas em Campina Grande
Por: Maria Beatriz Oliveira*
O município de Campina Grande, no Agreste paraibano, é o segundo maior colégio eleitoral da Paraíba: conta com 304 mil registros no Tribunal Regional Eleitoral da Paraíba (TRE-PB). Ontem, esses milhares de eleitores compareceram às urnas para participar da votação do segundo turno das Eleições 2026.
Entre eles, estava Francisca Mariz, de 93 anos. Embora já tenha ultrapassado a idade em que o voto é obrigatório — até os 70 anos —, a moradora da Rainha da Borborema faz questão de exercer sua cidadania. Para isso, conta com o filho, Steferson Mariz, que a acompanha em todas as eleições. “Minha mãe nunca deixou de votar. Ela sempre faz questão de exercer sua cidadania e, apesar das dificuldades decorrentes da idade, estamos aqui, juntos, em todas as eleições”, relatou o filho.
Outra eleitora que também fez questão de participar do pleito foi a estudante Laura Martins, de 16 anos. Mesmo sem ter atingido a idade em que o voto se torna obrigatório — 18 anos —, a adolescente compareceu, ainda pela manhã, à Universidade Federal de Campina Grande (UFCG), acompanhada do pai e da irmã mais nova, para escolher o seu candidato à Presidência da República.
“Eu me planejei desde o início do ano para tirar o meu título de eleitor, pois queria participar da escolha. Quero fazer parte de um Brasil melhor e de um futuro melhor para mim e para minha irmã”, declarou a jovem.
Segundo dados do TRE-PB, mais de 21 mil adolescentes de 16 anos possuem título de eleitor na Paraíba. Já entre os eleitores com 70 anos ou mais, para quem o voto é facultativo, o estado registra mais de 340 mil pessoas.
*Matéria publicada originalmente na edição impressa do dia 26 de outubro de 2026.